A cidade de Londrina está inserida na porção norte do estado do Paraná. Esta porção do Estado, até o início do século XX, era considerada pelo governo paranaense um “vazio demográfico” – ainda que fosse ocupada por posseiros e indígenas – resultado de um lento e ineficaz plano de colonização do governo. Dotado de férteis terras roxas, o norte paranaense começou a atrair ocupação devido a expansão cafeeira de paulistas e mineiros, formando grandes propriedades produtoras de café entre Cambará-PR e o rio Tibagi. A dificuldade de escoamento da produção, levou os fazendeiros a se organizarem, conseguindo do governo do Estado a concessão apara implantação da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, com 29km de trilhos conectando Cambará-PR a Ourinhos-SP.

A E. F. São Paulo-Paraná foi finalizada em 1925. Um ano antes, iniciou-se a história da empresa que seria responsável pelo maior plano de colonização privado já empreendido no Brasil, responsável pela implantação de uma rede de mais de 60 núcleos urbanos. Em 1924, a convite do governo brasileiro, chegou ao Brasil a Missão Montagu, formada por um grupo de ingleses, liderados por Lord Lovat, técnico em agricultura e reflorestamento, com objetivo de analisar o potencial de investimento no país, em especial no plantio de algodão. Ao conhecer o norte paranaense, a fertilidades do solo e a possibilidade de adquirir as terras a preços módicos do Estado, Lovat funda a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) - subsidiária da inglesa Paraná Plantation Company – e adquire, em 1928, mais de 500 mil alqueires do governo paranaense.

A CTNP adquire ainda a concessão da E. F. São Paulo-Paraná, iniciando assim seu plano de colonização. Este era baseado na expansão do eixo rodoferroviário ao longo do divisor de águas principal, do qual ramificar-se-ia uma extensa rede de rodovias secundárias sobre os demais espigões. A área rural foi parcelada em pequenas glebas, de 10 a 15 alqueires, com frente para a estrada de acesso e fundo para um curso d’água. Núcleos urbanos eram inseridos a cada 15 km, para o abastecimento da população rural vizinha e para o desembaraço da produção cafeeira.

Londrina surgiu em 1929, como primeiro posto avançado deste projeto inglês, implantado no local denominado Patrimônio Três Bocas. Ali o engenheiro Alexandre Razgulaeff traçou a planta de Londrina, pensada para acomodar uma população de cerca de 30.000 habitantes, com uma forma geométrica regular, composta por quadras quadradas (100x100m) que conformavam uma malha xadrez de pouca variação, quebrada apenas na área central com quadras em elipses e por dois eixos diagonais quase paralelos, a linha férrea e a avenida principal de acesso que corta o centro.

A CTNP ficou sob o controle dos ingleses até 1944, quando a totalidade de suas ações foi adquirida por um grupo de investidores brasileiros, liderados por Gastão Vidigal – fundador do banco Mercantil de São Paulo – e pelo engenheiro Gastão de Mesquita Filho. O motivo da venda seria o ordenamento da Coroa Britânia de retorno compulsório do capital investido no exterior, feito em 1942, momento da 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Em 1951, a razão social da empresa se alterou, passando a ser chamada Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) (CMNP, 1975). A maior diferença na ação de colonização entre a CTNP e a CMNP foi a introdução do conceito de hierarquia, contraponto à ideia anterior de equivalência dos núcleos urbanos. Tendo ainda a linha rodoferroviária como linha mestra, estabeleceram-se quatro cidades polos – Londrina (1930), Maringá (1947), Cianorte (1953) e Umuarama (1955) –, distantes aproximadamente 100 km entre si (BELOTO, 2015).

A ampla propaganda da CTNP/CMNP somado à fertilidade das terras, fez com que a ocupação demográfica ocorresse de forma vertiginosa, sendo Londrina a cidade de maior expressão. O café foi o principal produto econômico até meados da década de 1960, quando sucessivas geadas, a mecanização do campo e a política nacional de industrialização, fez com que a região acelerasse seu processo de industrialização, consolida-se como importante polo regional de serviços e substituísse a cultura do café por culturas rotativas, como a soja e o trigo. Neste período observa-se um grande afluxo migratório campo-cidade. Grandes expansões horizontais são observadas na década de 1970 e, em 1980, Londrina já apresentava taxa de urbanização da ordem de 88%. As expansões urbanas continuaram intensas ao longo de todo o período, fomentada, por exemplo, pela implantação de conjuntos habitacionais no setor norte nas décadas de 1980 e 1990; e pela implantação do shopping Catuaí e urbanização da gleba Palhano no setor sul, nas décadas de 1990 e 2000.

A acelerada consolidação de Londrina, atraiu importantes nomes da arquitetura e urbanismo ao longo de sua história, como Francisco Prestes Maia responsável pelo “Estudo de Urbanismo para Londrina”, em 1951; Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, com os projetos da estação Rodoviária (1948-1952), o conjunto formado pelo Cine Ouro Verde, edifício Autolon e a confeitaria Calloni (1948-1952), a Casa da Criança (1950), As obras para o Londrina Country Club (150-1951), a Santa Casa de Londrina (1952) e o Estádio Municipal de Londrina (1953).

Hoje a cidade é a segunda em habitantes no estado do Paraná, com população estimada pelo IBGE em 2020 de 575.377 habitantes, sendo a cidade polo de uma região metropolitana formada por 25 municípios, contando com mais de 1,1 milhão de habitantes.

Londrina